II Congresso on-line de PLE 25 e 26 de junho de 2021

A Diversidade no Ensino do PLE

sexta, manhã

Géssica Nunes (Guarani Nhandewa),
Brasil

Universidade território indígena

Nesta mesa, discutirei minha atuação como pesquisadora, ativista e professora  que leciona na comunidade indígena Pinhalzinho, desde março deste ano, como professora de língua portuguesa. Minhas ações consistem na defesa e no fortalecimento das presenças indígenas no ensino superior, um resultado que surge a partir de seis anos de silenciamento na universidade, no curso de Letras, onde sofri com o racismo.

Para realizar estas ações que realmente consideram os seres inferiorizados, assim como eu, faço parte de um grupo de estudos (GEMTI) formado só por pessoas indígenas, o que possibilita a criatividade para construir textos e artes nas mídias sociais. Uso esse espaço porque consigo alcançar mais pessoas do que publicar artigos na academia, que é direcionado a um público específico.

Abordo estratégias de resistência para acesso e permanência no ensino superior, especificamente no estado do Paraná.

Carolina Coelho Aragon,
Brasil

O ensino de PLE entrelaçado aos saberes etnolinguísticos

Transmitir os valores do ensino de PLA/PLE significa transferir a realidade social e política, requer promover uma educação linguística, formando cidadãos críticos e responsáveis, preparados para enfrentar os desafios do ensino atual dentro de uma abrangência global. Conforme Ferreira (1998), a aquisição de uma LA/LE abarca a aquisição de hábitos linguísticos como também a assimilação da nova cultura. Desta forma, compreende-se que o ensino de português para estrangeiros está atrelado à educação etnolinguística, nas relações entre os saberes linguísticos e culturais que se voltam para um Brasil ou melhor para os “Brasilis/Brasis” marcado por uma diversidade de línguas e culturas indígenas. Percorreremos a história do Brasil para compreender não apenas a sua diversidade como também o silenciamento de línguas e a formação do povo brasileiro em um processo sociocultural de segregação e assimilação. Com isso, discutiremos valores e conceitos relacionados ao multilinguismo e suas distintas extensões de funcionamento no ensino de PLA/PLE.

Laura Guesse Penido,
Austrália

O ensino de PLE e as festas populares brasileiras: aprendizagem e senso de pertencimento por meio da experiência

Tendo em vista os constantes desafios do ensino de uma língua estrangeira em um país que carece de referências cultural, linguística e histórica da mesma, este trabalho procura apresentar uma alternativa em suprir esta ausência e propor um ensino que seja construído conjuntamente sendo os alunos sujeitos da sua própria aprendizagem. O presente trabalho é baseado nas informações e experiências adquiridas através do projeto Portuguese for Gringos na Austrália. A decisão pela introdução das festas populares brasileiras no ensino de PLE, como parte constitutiva do currículo, deu-se a partir do reconhecimento das particularidades da audiência e a necessidade de um método de ensino que satisfizesse as demandas dos alunos. Todos são adultos nascidos (em sua maioria) na Austrália, cuja principal (se não a única) língua é o inglês australiano. A vasta maioria estuda português por ter parceiro/a brasileiro/a e querer, por meio da aprendizagem da língua, sentir-se parte desta cultura que se faz presente cotidianamente através do convívio entre brasileiros ou das interações a distância com os familiares do/da parceiro/a no Brasil. Assim, o que está em jogo para esses alunos não é apenas a aprendizagem de uma nova língua, mas a sua ressignificação como sujeitos que estão sendo gradativamente incluídos em uma cultura até então totalmente alheia ou distinta da sua realidade. Tal choque de realidades coloca em pauta algumas questões que estão além do âmbito linguístico, mas imprescindivelmente devem ser consideradas no ensino de PLE uma vez que os alunos são os sujeitos da sua aprendizagem. É a partir desta contextualização e conscientização que a Portuguese for Gringos tem oferecido um ensino que, acima de tudo, seja dialogical e inclusivo. A opção pela celebração das festas populares brasileiras foi baseada em seu significado sociolinguístico cultural. Especificamente neste trabalho relataremos as experiências de carnaval, festa junina e festa de fim de ano que tivemos e todo o processo de aprendizagem envolvido desde a contextualização das festividades quanto à sua historicidade e localidade, reverberando assim nas comidas típicas envolvidas, até a experimentação delas/destas em um ambiente familiar e fora da sala de aula. Todos esses aspectos levados em conta é o que tem garantido um ensino de PLE que seja dotado de significado experiencial e proporcionador de um espaço de pertencimento que, por muitas vezes, o aprendizado da língua por si só não é capaz de oferecer.

Currículo - https://www.linkedin.com/in/laura-guesse-penido-a90488150

Helena Noto, Finlândia
As políticas e práticas linguísticas: um panorama sobre o ensino do português na Finlândia

A globalização e os avanços tecnológicos impulsionaram a comunicação sem fronteiras e, com isso, o diálogo e as trocas entre diferentes culturas. Essa demanda assenta para um ensino de línguas voltado cada vez mais para contextos multilinguísticos e multiculturais. Este paradigma envolve mudanças quer nas propostas curriculares de língua estrangeira, como referência para que os aprendizes desenvolvam suas competências linguísticas na língua-alvo e sua visão do mundo, quer na atuação do professor em sala de aula, como agente motivador e sensível às características dos seus aprendizes face à diversidade. Nesse sentido, pretendo apresentar um panorama do ensino do português e sua abrangência na Finlândia, incluindo as políticas, estratégias, materiais didáticos de língua portuguesa produzidos na Finlândia, bem como o perfil, as motivações e as dificuldades mais recorrentes que têm os aprendizes finlandeses na aprendizagem da língua portuguesa.

Instituição onde atua: : Centro Cultural Brasil-Finlândia

Currículo: https://www.linkedin.com/in/heleducprofessorahelenanoto/

Abubacar Mendes,
Guiné-Bissau

Português na Guiné-Bissau

Enquanto professor de português na Guiné-Bissau, faço questão de adaptar os conteúdos ao contexto e à realidade dos alunos/aprendentes. Com o intuito de gerar maior interesse, adequo os materiais, em particular os textos, à realidade social, política, econômica, geográfica e ao dia a dia deles. Assim, facilita a compreensão e cria maior eficácia na interação. Isso porque a grande maioria dos guineenses não tem o português como língua materna. Pelo que, além da pedagogia e das metodologias usadas serem tradicionalistas e estruturalistas, os materiais são inadequados ao contexto quotidiano do aluno. Além disso, nas minhas aulas, para além de o aluno ser o centro das atenções, aplico sempre as metodologias de abordagem comunicativa, permitindo interação nas aulas, professor–aluno, aluno–professor e aluno–aluno. O ensino de qualquer língua deve se basear no interesse do aluno, principalmente quando se trata de uma língua não materna.

Andrea Elena Gaui Luz,
Brasil-Portugal

Português de Portugal e do Brasil: diferenças e semelhanças

A proposta desta comunicação é apresentar, brevemente, as diferenças e semelhanças entre o português europeu e o português do Brasil por meio do projeto Dois Dedos de Conversa, um livro de exercícios recém-lançado, focado no desenvolvimento de competências orais e dirigido, sobretudo, a aprendentes do português europeu. Adotando uma perspetiva contrastiva, a comparação será baseada no livro Batendo Papo-Fale e aprenda de maneira interativa, que esteve na origem do projeto acima mencionado e se centra no português do Brasil. Assim, serão comparadas duas a três atividades equivalentes de ambos os livros, nas quais serão salientados os contrastes culturais, lexicais e sintáticos. Além disso, haverá a discussão do processo de criação dessa segunda obra, incluindo as descobertas das autoras em relação a essas diferenças.

Adriana Garzón Mozo,
Colômbia

 A fonética do português brasileiro está juntando as três Américas

E sem pensar, sem intenção nenhuma e sem calcular o sucesso de uma ideia, o português brasileiro está indo além das fronteiras das Américas, mas como isso está acontencendo? Por meio das aulas de fonética! A pandemia, a internet, as redes sociais, tudo esteve e está a favor de hispanofalantes com nível intermediário de português que buscam aprimorar a pronúncia e estão participando do curso “Fonética do português brasileiro para falantes do espanhol”. Portanto, nesta apresentação, abordarei a minha experiência como professora e idealizadora desse curso, e mostrarei exemplos de exercícios práticos focados especialmente em pontos de contraste entre os dois idiomas, entre eles: • Vogais orais • Vogais nasais; • V e B; • R; • S e Z; • L; • T e D; • G e J; • X. Esse projeto nasceu quando duas professoras, eu (uma professora colombiana) e uma professora brasileira, percebermos que ao decodificar os sons do português para os sons do espanhol se facilitava o processo de aprendizado para os estudantes hispanofalantes, o que permitia e permite melhorar a pronúncia deles com o objetivo de deixar aos poucos o portunhol. É importante falar que em menos de um ano esse curso está próximo de abrir a sua turma número 4 e já teve participação de pessoas de países como: Estados Unidos, Costa Rica, Chile, Venezuela, Peru, Argentina, Colômbia, México e uma estudante da Polônia que fala espanhol e português. Em minha fala para o congresso, irei expor as dinâmicas e possibilidades para ensinar português em um curso focado na fonética. Também irei mostrar os grandes desafios de praticar a pronúncia diante de um país tão diverso como o Brasil, com inúmeras variações linguísticas, para alunos da América Latina que também fazem parte de países com realidades, variações e sotaques diferentes. Ademais, apresentarei também todos os caminhos que a virtualidade abre, porque além das aulas, os estudantes trabalham em ferramentas interativas e didáticas para praticar e levar o registro das aulas e o seu progresso, uma metodologia com diversas possibilidades, entre elas, juntar pessoas motivadas a aprender bem o português brasileiro.

Adriana Bodolay,
Brasil

Não confundam prosódia com pronúncia

A partir de uma seleção de atividades a serem trabalhadas em aulas de português para estrangeiros, vamos revisar alguns conceitos e ampliar a reflexão sobre as possibilidades de se criar um método de ensino prático, objetivo e atraente tanto para professores como seus alunos. Prosódia é uma área investigada por dois campos da Linguística: a Fonética e a Fonologia. Ambas se ocupam do estudo da cadeia sonora e todos os fenômenos a ela ligados. O termo vem do grego e significa “melodia que acompanha o discurso”. No surgimento dessa área, fazia-se referência apenas aos aspectos musicais da fala, separando-os do texto recitado pelos poetas, por isso a restrição à ideia de melodia. Até hoje esse fundamento é válido, pois é possível observar separadamente os segmentos (consoantes e vogais) dos suprassegmentos (acento, melodia, tom, ritmo etc). Portanto, não existe fala sem elementos prosódicos. Grosso modo, a prosódia nos serve para ressaltar itens lexicais dentro dos enunciados, demarcar estruturas sintáticas, acrescentar significados, dentre outras possibilidades. Mas para o que mais a utilizamos? Fónagy (2003) elenca 14 funções, contudo apenas a função modal (que diferencia enunciados do tipo Maria chegou./Maria chegou?) vinha sendo explorada em alguns poucos materiais didáticos de PLE.

Instituição onde atual: Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

Currículo - https://www.linkedin.com/in/adriana-bodolay-34a48751/

sexta, tarde

Laura Camila Braz de Almeida,
Brasil

Cordéis sergipanos e suas unidades fraseológicas

A presente comunicação é a realização de uma análise dos fraseologismos presentes nos cordéis de autores sergipanos, fazendo relação com o processo de ensino de Português como Língua Estrangeira. Esse estudo foi realizado no estágio pós-doutoral na Universidade Federal da Bahia. A fundamentação teórica para esse estudo será pautada na teoria sobre fraseologismo construída por Gross (1996) e Mejri (1997). Além disso, serão elaboradas as sequências didáticas, baseando-se na didática da fraseologia com os seguintes autores Zuluaga (1980), Tagnin (1989), Penadés Corpas Pastor (1996), Martínez (1999), Sevilla Muñoz (1999), Ortiz Alvarez (2010; 2011) e Monteiro-Plantin (2015). A justificativa para essa pesquisa é atrelada à carência de obras específicas que tratem do ensino da fraseologia e que apresentem propostas para o docente. Pretende-se desenvolver, assim, uma pesquisa sobre os fraseologismos presentes na literatura de cordel sergipana e construir sequências didáticas, baseadas no uso comunicativo da língua. Neste trabalho, a metodologia empregada é constituída pela realização das seguintes etapas: 1. leitura de textos teóricos referentes ao tema proposto; 2. Com o corpus dessa pesquisa, elaboração de sequências didáticas com usos comunicativos dos provérbios encontrados no cordel para serem aplicadas em aula de língua portuguesa. Esta pesquisa insere-se na perspectiva de investigação lexical, constituindo uma análise da variação semântico-lexical em Sergipe. Dessa forma, serão investigados os fraseologismos utilizados em cordéis de autores sergipanos para a construção de um caderno pedagógico para o ensino de português como língua estrangeira.

Instituição onde atua: Universidade Federal de Sergipe

Bárbara do Vale Reis de Sousa, Portugal
O português falado em Minas: da teoria para a sala de aula

Através da identidade, grupos estabelecem seus membros, identificando indivíduos com as mesmas características e, consequentemente, excluindo aqueles que consideram diferentes. “Isso ocorre porque culturalmente são estabelecidas regras, condutas e costumes, passados de geração em geração” A aprendizagem da língua é um fator importante de integração social, da simplificação de problemas cotidianos e da interação profissional. Entretanto, não só fatores linguísticos devem ser considerados na sala de aula de PLE. Não se pode desvincular a aprendizagem da língua portuguesa da área cultural, social e econômica do país. Quando há uma maior conscientização das semelhanças e diferenças interculturais ao invés de um suporte somente comunicativo, o desenvolvimento da competência comunicativa intercultural passa a ser o objetivo principal. Neste sentido, a interculturalidade e a diversidade são processos de interação entre as pessoas de diferentes comportamentos afetivos e cognitivos, por vezes divergentes no mundo. Entretanto, a educação como ação política dentro da lógica do desenvolvimento do capitalismo assume uma aparente autonomia, separada das relações sociais. Acompanhando esta corrente de pensamento, embaixo da superfície teórica, o que encontramos é uma intocada crença na inferioridade das comunidades e identidades minorizadas. Diante do exposto, é imprescindível salientar que a luta por uma escola democrática não é suficiente para garantir a igualdade de tratamento para todos. Em certo ponto, práticas educativas que se pretendem iguais para todos acabam por discriminar alguns, e não outros. Dependendo do discurso e da prática, pode acabar acontecendo o contrário, correndo no erro da homogeneização em detrimento da reflexão das diferenças. Neste sentido, a interculturalidade e a diversidade em PLE tendem a assimilar as culturas diversas do Brasil como forma de criar uma “cultura comum”, buscando a unidade e o consenso na diversidade. A educação em geral privilegia um padrão de ensino. Que padrão é esse? Ao entendermos as diferenças raciais, por exemplo, não queremos dar ênfase ao aspecto biológico e nem à suposta superioridade de uma em detrimento da outra, mas sim, realçar o caráter político que essas diferenças tomaram corpo ao longo da história da humanidade.

Instituição onde atua: Speak Brasil

Currículo - https://www.linkedin.com/in/barbaravrsousa/

Hanna Ferreira da Silva,
Brasil

 Aspectos culturais brasileiros no material didático "Samba!" para o ensino de Português para Estrangeiros

Com o avanço de pesquisas no campo de Linguística Aplicada (LA) acerca da área de ensino-aprendizagem de língua estrangeira (LE), entendemos que, atualmente, o estudo de língua não é mais visto como o entendimento de estruturas gramaticais e vocábulos soltos, mas é compreendido a partir de uma perspectiva cultural. Assim, neste trabalho, teremos como objeto de estudo o livro didático (LD) "SAMBA! Curso de língua portuguesa para estrangeiros," das autoras Andrea Ferraz e Isabel M. Pinheiro, da Autêntica Editora, publicado em 2020. Particularmente, por se tratar da primeira publicação de um material tão atual, partiremos da investigação se a perspectiva pluricultural brasileira realmente norteia o trabalho ao longo das unidades do livro didático em questão. Este trabalho se justifica pela necessidade de salientar o papel indissociável que a cultura tem na construção e no entendimento de uma língua e como a desconsideração de tal perspectiva pode oferecer impactos contraproducentes no aprendizado de uma língua estrangeira. Partimos da hipótese de que "SAMBA! Curso de língua portuguesa para estrangeiros" pode ser um livro diferenciado no mercado de materiais didáticos para ensino da língua portuguesa brasileira para estrangeiros por apresentar, sempre que possível, aspectos culturais por entre suas páginas. Assim, objetivamos, a partir da análise do corpus, investigar se aspectos culturais foram levados em consideração na preparação do LD e, em caso afirmativo, como esses aspectos são apresentados aos estudantes dentro do material. Para tanto, pautamos a nossa investigação, prioritariamente, em Risager (1991), Cunningsworth (1995) e Leffa (2016). Buscamos, portanto, contribuir para uma maior reflexão sobre o aperfeiçoamento linguístico que pode ser proporcionado ao estudante quando esse aprende uma língua estrangeira a partir do estudo de aspectos culturais evidenciados nos materiais didáticos que serão utilizados em sala de aula.

Instituição onde atua: Mestranda em Estudos da Linguagem e Pós-Graduanda em Português para Estrangeiros, ambos pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

Mariana Santos Canuto,
Brasil-Estados Unidos

Questões étnico-raciais na sala de aula de PLE

O objetivo do trabalho é integrar a dimensão cultural, política e social para o combate ao racismo através das aulas de PLE, voltado à formação de professores. É essencial o estudo dos estereótipos sociais e étnicos nas aulas de PLE, como os indígenas brasileiros, a questão das favelas e das comunidades quilombolas, manifestados na nossa sociedade, naturalizados no cotidiano das pessoas e reproduzidos pela língua e linguagem. Portanto, a pesquisa da autora como parte da sua dissertação de mestrado, atenta ao aprofundamento das diferentes etnias que compõem o Brasil e suas características físicas, bem como mostrar aos alunos as nomenclaturas corretas quanto à cor de pele, raça e racismo. Neste sentido, o intenso fluxo migratório no Brasil nos atinge sob novos desafios, mas também a ambição de outro olhar ao mito brasileiro, o qual chamamos de “democracia racial” e de que temos “um país onde todos são bem-vindos”, sem discriminação de cor, religião, gênero, etc. Diante dessas reflexões, como poderá o educador desconsiderar a questão racial na sala de aula de PLE? As políticas linguísticas no Brasil têm determinado decisões referentes às relações entre as línguas e a sociedade? O ensino de língua tem sua função social para a implementação da Lei 10.639/2003 – Obrigatoriedade da História e Cultura Afro-brasileira. A proposta convoca a repensar currículos, rituais pedagógicos, formas estereotipadas da expressão oral, a relação professor/aluno, bem como o papel do educador brasileiro diante das questões étnico-raciais.

Luciana Lousada, Alemanha
Aplicativos de chat de áudio em tempo real: a experiência com o Clubhouse

Há pouco mais de um ano, entrava no concorrido mercado das redes sociais um aplicativo que trazia apenas a voz como a única forma de interação: o Clubhouse. Ainda que não seja o único no mercado, o aplicativo tem conectado de forma síncrona pessoas de diferentes partes do mundo, mostrando-se uma potente ferramenta para o ensino e aprendizagem de idiomas, que vai além daquilo que um programa de rádio e um podcast podem oferecer. Diante de tantas plataformas que privilegiam a imagem e até mesmo seu domínio sobre o som, cabe questionar o que tem atraído os usuários para um aplicativo que privilegia a voz/áudio e averiguar quais são seus benefícios e vantagens no contexto de aprendizagem de idiomas. Por se tratar de um aplicativo novo e ainda em fase beta – apesar dos mais de 10 milhões de usuários, pouco foi publicado sobre o Clubhouse e, em geral, são artigos que abordam apenas os detalhes técnicos. O presente trabalho, por sua vez, relata a experiência realizada nos meses de fevereiro a maio de 2021 nas salas criadas dentro do aplicativo, tendo como objetivo um ensino não-formal para o público-alvo: estrangeiros que querem aprender português e/ou aperfeiçoar seu nível de proficiência no idioma.

Instituição onde atua: Linguaffin/HNEE

Currículo - https://www.linkedin.com/in/lucianalousada/

Lizandra Belarmino de Moura,
Brasil-Paraguai

Variedade culinária e cultural no Brasil por meio de vídeos do Youtube e plataforma Edpuzzle: um relato de experiência

No ensino de línguas, sobretudo a Língua Portuguesa do Brasil, a cultura e a língua não podem ser dissociadas, uma vez que ambas compartilham limites indefinidos e complementares. No Brasil, existe uma variedade imensa da sua própria língua e cultura, tal fato, muitas vezes, é pouco levado em consideração devido aos estereótipos existentes. E é sobre isso o presente relato de experiência: uma proposta didática de aula para adultos que apresente as variedades fonológicas (sotaques, diferenciação dos sons) e morfológicas (vocabulário, gírias, léxico) do português brasileiro de uma maneira lúdica, ou seja, partindo de vídeos do Youtube, mais especificamente do canal do youtuber Mohamad Hindi. A aula foi preparada com o auxílio da plataforma Edpuzzle, que transforma vídeos em atividades para serem usadas em contexto educacional. Para um estudante de língua, é importante estar em contato com textos autênticos da língua-alvo, pois dessa forma, ele poderá compreender os contextos de cultura por meio das cargas culturais que muitas palavras carregam, como defendido por Galisson (1970), em seu conceito de lexicultura. Portanto, ao unir teoria e prática, foi possível concluir que a apresentação desse material audiovisual em aula, unido a uma plataforma criada para um fim educativo, trazendo uma atividade que reflete o uso da língua em seus aspectos fonológicos e morfológicos é amplamente benéfico para o aluno que aprende de maneira eficaz e contextualizada sobre as variedades da língua.

Instituição onde atua: ILPOR Centro de Idiomas

Currículo - www.linkedin.com/in/lizandrabmoura

Fernando Nonohay, Inglaterra
Como diversificar o ensino de PLE com TikTok e Reels 

Veremos as razões pelas quais eu decidi deixar para trás posts mais convencionais na mídia social, passando pelo YouTube até chegar ao TikTok e Reels no ensino de PLE:

- Superando o preconceito em relação ao TikTok e o medo de se expor.

- Exemplos específicos de diferentes formatos e ferramentas do TikTok e Reels: criação de áudio original, efeitos sonoros, música, dublagem, dança, duetos/remixes, stitches, filtros.

- Como utilizar TikTok e Reels para a autopromoção, marketing para atrair alunos, aumento e engajamento de seguidores.

- Atividades de sala de aula com o uso do TikTok e Reels, e como incentivar a participação de alunos.

- Promoção da diversidade cultural e linguística do Brasil através do TikTok e Reels.

- Comparação entre TikTok e Reels: vantagens e desvantagens de cada plataforma: ferramentas disponíveis, algoritmo, tipos de seguidores, direitos autorais.

- Equipamento básico e dicas de como usar as duas plataformas de forma eficiente a fim de economizar tempo.

Jacqueline Komura,
Brasil

Marca pessoal e posicionamento digital: como usar a internet a seu favor?

Muitos profissionais construíram autoridade e reconhecimento ao longo de muito trabalho para além da Internet. Hoje encaram o desafio de comunicar tudo isso por meio de um posicionamento digital relevante e memorável, capaz de aliar ferramentas diversas e novas formas de se relacionar. Vamos juntas entender como usar a Internet e seus recursos a nosso favor? Neste conteúdo, conversar sobre:

 - Construção de uma marca.

O que torna a marca uma marca? Quais elementos ajudam neste processo? Quais são as narrativas importantes?

 -Autenticidade

O mercado digital não está saturado. Encontre a sua voz e a tribo que deseja liderar.

 - Ferramentas Digitais

Instagram é mesmo a rede ideal para todo mundo? Como aproveitar o melhor de cada ferramenta para compor este posicionamento digital?

 -Dados

Onde encontrá-los? Como utilizá-los?

Atualmente, Jacqueline atende profissionais liberais e pequenas empresas com foco em inovação e construção de posicionamento digital.

É também voluntária do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), conduzindo o Programa ELA PODE no Estado de São Paulo, apoiando mulheres a se desenvolverem profissionalmente e a conquistarem independência financeira. O Programa já impactou mais de 140 mil mulheres em diversas localidades do Brasil.

 

Currículo - Linkedin: Jacqueline Yumi Komura

sábado, manhã

Fernando dos Santos Pedretti, Brasil
Como a proficiência em língua portuguesa virou empecilho para naturalização de migrantes

Essa apresentação tem por objetivo apresentar e discutir os principais marcos na legislação brasileira concernentes ao processo de naturalização para imigrantes no que diz respeito à comprovação de proficiência em língua portuguesa. Para tal, é de extrema importância definir o termo proficiência, trazer iniciativas de instituições que trabalham com o Português como Língua de Acolhimento, bem como discutir o efeito retroativo do Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros - Celpe-Bras como comprovação da referida proficiência para fins de naturalização, um exame longe da realidade dos solicitantes ao processo. Para contribuir com esse debate, será apresentado um projeto desenvolvido no estado de Santa Catarina: uma avaliação da capacidade de comunicação em língua portuguesa aplicada por instituições reconhecidas pelo Ministério da Educação, que visa não só fortalecer a política linguística e educacional desenvolvida por instituições catarinenses, mas também trazer uma opção para imigrantes comprovarem sua proficiência em língua portuguesa. Vale ressaltar que acreditamos ser necessário certificar a capacidade em se comunicar em língua portuguesa. Porém, esta comprovação deve compreender a realidade das comunidades imigrantes, adequar-se aos seus cotidianos e encorajá-los a quererem aprender o português não somente para passarem em uma prova que garanta a sua naturalização, mas sim, acima de tudo, para aprenderem a se comunicarem e se integrarem na sociedade brasileira.

Kelly Cristina Marques,
Brasil

 Relato de experiência como professora de português e cultura brasileira no projeto português para imigrantes e refugiados

O curso foi oferecido no ano de 2016 em uma parceria do Governo Federal, PRONATEC, IFSULDEMINAS e Prefeitura da Cidade de São Paulo, através do CRAI (Centro de Referência e Atendimento aos Imigrantes). O público-alvo eram imigrantes de qualquer nacionalidade, maiores de 18 anos, que chegavam em solo brasileiro em busca de abrigo, trabalho, estudo, validação de diploma em medicina ou em situação de refúgio, o que proporcionava uma rica diversidade, transdisciplinaridade e vivência cultural abundante, além de configurar um enorme desafio, uma vez que a turma era formada por alunos com diferentes níveis de conhecimento do idioma, em sua maioria eram recém-chegados ao Brasil (a maioria em condição bastante vulnerável), ainda encontrando redes de apoio e com motivações e necessidades muito variadas. Nesta exposição, pretende-se compartilhar as adversidades, as estratégias pedagógicas, os recursos e materiais, as soluções, os resultados alcançados, as alegrias e os vínculos de afetividade que se estabelecem a partir ensino-aprendizagem de uma língua através do acolhimento.

Instituição onde atua: Fatec Zona Leste

Eliana Barbosa dos Santos, Brasil
O livro como conector de aprendizagem híbrida

Este estudo apresenta uma abordagem híbrida de ensino e aprendizagem de português para falantes de outras línguas, estudantes do Convênio de Graduação do Ministério da Educação – PEC-G. Fundamenta-se em pressupostos referentes ao ensino híbrido de RELVAS (2021), OLIVEIRA & SEPARAS (2016) e MORAN (2016), às tecnologias digitais como recursos pedagógicos de ROJO (2013), KENSKI (2006) e PAIVA (2001) e ), às formas textuais digitais (PAIVA, 2008). ao professor mediador de STOLLER (2005) e PRADO (2005). A metodologia é de caráter qualitativo (STAKE, 1994), interpretativista MOITA LOPES (1994), de cunho etnográfico, GEGEO (1995) e de base etnográfica virtual (SANTOS & GOMES, 2013). Tem por objetivo possibilitar o uso da língua como uma entidade dinâmica capaz de construir novos sentidos e poder minimizar a artificialidade nas práticas pedagógicas (de fala e de escrita), possibilitando o desenvolvimento de uma aprendizagem significativa. Espera-se poder contribuir com professores na posição de instigadores do engajamento de aprendizes em interações na língua portuguesa.

Instituição onde atua: UnB - Universidade de Brasília

Currículo - https://www.linkedin.com/in/eliana-barbosa-dos-santos-63053686/

Luciana Canonico Cruz, Brasil
Trabalhando a diversidade por meio do Youtube

O YouTube é uma rede social que nos dá a possibilidade de trabalhar muitos contextos linguísticos e de trazer aos alunos de PLE o contato com o português falado em diversos países e em diversas situações de comunicação. Possibilitando ao aluno uma viagem pelos países lusófonos, assim como pelas regiões e estados do Brasil.

Olivia Yumi Nakaema,
Brasil

Uso da plataforma Seesaw para a realização de tarefas pedagógicas no ensino de PLE e PLAc

Antes mesmo da pandemia provocada pelo Covid-19 a partir de 2020, nosso grupo de trabalho para o ensino de PLE e PLAC buscou utilizar plataformas que possibilitassem o uso de metodologias ativas nas aulas para alunos em situação de refúgio e imigrantes. Já utilizamos desde o Google Classroom até conversas pelo WhatsApp, a fim de possibilitar os aprendizes a construírem o próprio conhecimento, evitando assim uma tradicional aula expositiva. A partir de 2020, deixamos de utilizar o Google Classroom e passamos a adotar, como uma das alternativas, a plataforma Seesaw. Esta mostrou-se, principalmente durante a pandemia e o ensino remoto, mais amigável para os aprendizes por diversos motivos. Em primeiro lugar, no Seesaw é possível a visualização das tarefas apresentadas por meio de vídeos, imagens, áudios, etc., isto é, por meio de várias modalidades. Isso faz com que os aprendizes compreendam mais facilmente as tarefas e sintam-se mais motivados, tendo em vista que o apelo visual contribui como um atrativo. Também possibilita uma comunicação segura entre professores e alunos, sem expor dados pessoais entre os alunos, tendo em vista que as atividades e mensagens podem não ser compartilhadas entre os participantes da aula. A plataforma possibilita a construção de um portfólio de aprendizagem tanto individual quanto conjunta, possibilitando que os aprendizes realizem atividades de forma colaborativa. Esse portfólio possui o formato de uma publicação em redes sociais, o que é algo bem convidativo e familiar para os participantes. Desse modo, esse trabalho tem como objetivo apresentar como pode ocorrer a construção do conhecimento por meio da realização de tarefas pedagógicas na plataforma Seesaw. Como na plataforma facilita-se a troca de textos multimodais (vídeos, áudios, imagens, desenhos, texto verbal) entre os participantes, esta é um facilitador na interação social. Assim, como no ensino de PLE e PLAC, é essencial desenvolver as quatro habilidades (escuta, fala, escrita e leitura) além da aquisição de habilidade intercultural, o Seesaw tem se mostrado uma ferramenta que apresenta bons resultados.

Instituição onde atua:  Instituto Singularidades e Chapel School

Currículo - https://br.linkedin.com/in/olivia-yumi-nakaema-0714b085

Gerardo Martinez, México
Português para pessoas idosas: desafios no ensino e aprendizagem na era digital

A aprendizagem de uma segunda língua estrangeira tem o seu processo de aplicação de habilidades técnicas e cognoscitivas em toda etapa de vida. As crianças se encontram numa etapa de desenvolvimento de percepções da língua materna, os adolescentes passam por uma etapa de sistematização e fixação dos elementos estruturais da língua, o adulto passa a utilizar sua língua de maneira cotidiana, em muitos momentos de maneira inconsciente com a liberdade que ela oferece para se comunicar e interagir com a sociedade. Já os idosos têm um processo de aquisição de conhecimento diferente, precisa ser de maneira gradual e com um ritmo de percepção e aplicação muito mais lento do que em outras etapas. Esse processo é muito importante para levar em conta a forma que podem desenvolver novamente as capacidades de percepção e de interação com o mundo. O processo de ensino e aprendizagem de uma segunda língua para pessoas idosas abrange técnicas, metodologias e contextos para os novos educandos do século XXI na era digital.

Instituição onde atua: Facultad de Estudios Superiores Acatlán UNAM

Iracema Pereira de Queiroz Guimarães, Brasil
Uma metodologia de excelência e sua flexibilidade de uso presencial ou online com aprendizes de variadas línguas maternas, faixas etárias e contextos

Trabalhando com perfis de alunos variados, altos executivos, donas de casa, crianças, adolescentes e jovens universitários intercambistas, no início dos anos 1980, notou-se que os métodos direto e áudio-lingual não atendiam à demanda desses alunos com relação ao tempo e eficiência de aprendizagem e seu uso imediato do português. Notou-se, também, que um só método, fosse ele Natural Approach (Krashen), Suggestopedia (Lozanov) ou Total Physical Response (Asher), quando empregado separadamente, não era suficiente para que se atingissem os objetivos específicos de cada aprendiz ou grupo de aprendizes com relação à aquisição da língua-alvo. Desenvolveu-se, então, uma metodologia que contemplasse não só uma abordagem comunicativo-cognitiva, com ensino indutivo-dedutivo da gramática, mas também que propiciasse um aprendizado rápido e eficaz do português, contemplando as quatro habilidades linguísticas, levando a uma produção espontânea do aprendiz, com autoconfiança, adequando sua fala, com segurança, aos diferentes níveis pedidos pelos diferentes contextos em que se encontrasse, fossem eles orais ou escritos. Flexibilidade era a chave demandada naturalmente pela realidade do período que em pouco antecede o Pós Método de Kumaravadivelu. A metodologia contempla pontos específicos estudados por Saussure, Asher, Krashen e Lozanov e a experiência didática no ensino de PLE que, juntos, facilitam a aquisição ( input x output) , permitindo que o professor adeque o processo de ensino-aprendizagem ao perfil de cada aprendiz . A metodologia Aracatu faz, há 40 anos, esse processo ensino-aprendizagem de PLE e suas especificidades ser prazeroso, eficiente e rápido, presencialmente ou online, com emprego de cores e músicas especificamente elaboradas e que ajudam a memorização dos conteúdos pelo subliminar, jogos linguísticos, brincadeiras brasileiras consagradas, materiais autênticos ( áudios, vídeos e textos) somados a exercícios síncronos e assíncronos, interativos e a aspectos culturais do Brasil. Não se aprende uma língua sem que se entenda a sua cultura.

Instituição onde atua: Instituto Aracatu Língua e Cultura

https://www.linkedin.com/school/instituto-aracatu

Currículo-https://www.linkedin.com/in/iracema-pereira-de-queiroz-guimar%C3%A3es-3133234b

Lilian Adriane dos Santos Ribeiro,
Espanha

O uso de metodologias ativas e das TIC nas aulas híbridas de PLE da Universidade de Sevilha

O ensino remoto e o ensino híbrido vêm ganhando espaço devido ao novo contexto atual, o da pandemia de Covid-19. A metodologia que vem sendo seguida é a aprendizagem de trabalho colaborativo (Jordano et al., 2013), também a aprendizagem baseada em jogos, ao incluir a gamificação dentro da sala de aula. Como define Mora (2013), a atividade lúdica ajuda a despertar a curiosidade, dirigir a atenção até um determinado ponto e fortalecer a memória, o qual, aplicado a um processo de aprendizagem, por exemplo, de uma língua, facilita a assimilação e processamento de léxico, de estruturas sintáticas e morfológicas. Por este motivo, este artigo pretende mostrar quais metodologias ativas dirigidas ao enfoque comunicativo e centradas nos aprendentes, assim como as ferramentas TIC foram usados nas aulas das disciplinas Português I dos cursos de Graduação em Letras da Universidade de Sevilha-Espanha durante o ensino híbrido do ano letivo 2020-2021. A metodologia utilizada neste trabalho foi quantitativa: em primeiro lugar foi fazer a coleta e revisão bibliográfica pertinentes, depois criar e aplicar dinâmicas usando as TIC para analisar a incidência que o uso destes recursos tiveram na aula de PLE a partir de uma experiência real nas aulas das disciplinas Português I e Iniciação à Língua e Cultura Portuguesas.

Instituição onde atua: Universidade de Sevilha

Currículo - https://www.linkedin.com/in/lilian-adriane-dos-santos-ribeiro-0802aa95/

sábado, tarde

Jéssica Caroline Pessoa dos Santos, 
Brasil

O translinguismo na aula de português adicional para refugiados: uma proposta didática com o "portuñol"

Nos últimos anos no Brasil, o número de solicitantes de refúgio aumentou consideravelmente no Brasil fazendo com que surjam projetos sociais de cunho educacional como o do “Curso de português para refugiados” que funciona sob organização da ONG Cáritas/RJ com o apoio pedagógico do projeto de extensão “Português para Refugiados no Brasil” da UERJ que desde o ano passado atua de maneira on-line. Com um objetivo de repensar estes sujeitos latino-americanos recém inseridos na sociedade brasileira, trabalha - se com perspectivas didáticas propostas através da perspectiva translingue proposta por Cavalcanti (2013) , na qual, o “portuñol” vincula- se muito mais do que uma língua de “intermedio”, mas sim como um processo de “intercomprensión entre lenguas” que permite promover a reflexão entorno de um aperfeiçoamento de uma consciência plurilíngue de seus falantes buscando, desta forma, uma sala de aula mais igualitária , mais criativa de sentidos que promovam a diversidade linguística com diferentes frentes e identidades na sala de aula de português como língua adicional para o ensino de refugiados latino-americanos.

Instituição onde atua: Pares Cáritas RJ/ U. San José

Currículo - https://www.linkedin.com/in/j%C3%A9ssica-pessoa-999939124

Ana Carolina Montecinos, Brasil
Elaboração de materiais didáticos para aulas de português como língua de acolhimento: relato de experiência

Durante o aprendizado de um novo idioma, são apresentados elementos que vão além dos aspectos linguísticos, já que a língua está diretamente vinculada à cultura. Qual cultura está sendo apresentada? No contexto do ensino de PLE, muitas vezes as questões como identidade das minorias, migração e colonialismo são igonoradas ou abordadas de maneira equivocada. Por um lado, a internacionalização da Língua Portuguesa ganha força e importância como uma das línguas mais faladas no mundo, contribuindo também para a manutenção e estudos da paz e operações humanitárias em âmbito internacional. Por outro lado, no ensino ainda são ignoradas características regionais e culturais profundamente ligadas à história do próprio país. Dado o exposto, importantes pesquisas vêm indicando a necessidade de se aplicar, no ensino de Português como Língua não Materna, uma abordagem que rompa com conceitos coloniais assimilados cotidianamente, traço fortemente presente na História Moderna da América Latina. A língua portuguesa precisa ser, portanto, descolonizada e desprendida da lógica capitalista moderna. Assim, seria capaz de enxergar a diferença como algo positivo e essencial ao enriquecimento da experiência do aprendizado. A descolonialidade perpassa a desconstrução discursiva de modelos tidos como ideais, a restauração de histórias dos subalternos e dos considerados periféricos (como as mulheres, os negros), o rompimento da invisibilidade de conhecimentos populares como os das comunidades afro-brasileiras e indígenas. Neste sentido, analisar e pormenorizar políticas de língua é papel de nós, educadores. É essencial abrir espaço para a discussão do tema entre profissionais da área e dar-lhes um novo olhar diante deste quadro tão complexo.

Instituições onde atua: Wizard; Torre de Babel; Círculos de Hospitalidade

Currículo - https://www.linkedin.com/mwlite/in/ana-carolina-montecinos-0a57194a

Robert Moses Fritz, 
Estados Unidos

O estudo do pronome neutro nas aulas de português

Embora os gramáticos insistam que os pronomes ele e eles funcionam como pronomes neutros para se referir a sujeitos gramaticais de gênero indefinido ou grupos compostos de homens e mulheres, muitas vezes estes pronomes não funcionam assim na prática, sobretudo com respeito à questão de identidades genéricas ou expressões de gênero que não se conformam com as identidades genéricas tradicionais de homem e mulher. Dado a crescente consciência pública das identidades LGBTQI+, várias propostas para pronomes neutros ou não-binários têm gerado tanto interesse como controvérsia nos últimos anos. Além dos debates político-culturais a favor e contra a adoção de um pronome neutro, o estudo do tema nas aulas apresenta oportunidades para incorporar mais diversidade e inclusão ao ensino do português como língua estrangeira, uma meta importante considerando que, em geral, os materiais de ensino de português só apresentam paradigmas heteronormativos e cisgêneros, sem considerarem outras possibilidades. Partindo do princípio pedagógico que a inclusão e reconhecimento da diversidade das expressões de gênero contribuem para o sucesso acadêmico de estudantes LGBTQI+, esta palestra propõe uma abordagem cultural ao tema do pronome neutro ou não binário com o intuito de criar um espaço de inclusão e apoio que facilita a aprendizagem da língua. Especificamente, a palestra considera o ensino do "Sistema elu" como uma opção pronominal não-binária e também identifica vocabulário apropriado para abordar os temas da sexualidade e gênero nas aulas de português.

Josiane Priscila de Macedo e Gabriela Viol Valle,
Brasil

O uso dos pronomes oblíquos no ensino de Português Língua Estrangeira

O ensino de Português Língua Estrangeira (PLE), sobretudo no momento inicial do curso, muitas vezes, pauta-se no ensino dos usos da língua falada. Entretanto, promover a competência linguística é permitir que os alunos possuam acesso a diversas possibilidades de usos da língua e saibam quando, onde e por que usá-las e portanto possam escolher o valor que pretendem dar às suas escolhas linguísticas. Dessa forma, o professor de PLE precisa promover o conhecimento da língua como um continuum entre formalidade e informalidade, seja na língua falada e/ou na língua escrita. Nesse sentido, a motivação deste trabalho se deu a partir da percepção de que o ensino dos pronomes oblíquos tem se mostrado restrito nos livros didáticos (LD), visto que apresentam seus usos distantes do recorrente, limitando os alunos e os distanciando de um uso da língua mais informal. Ao longo de quatro anos no ensino de PLE, percebemos a necessidade da elaboração de materiais didáticos, sobretudo utilizando materiais autênticos e com foco nos objetivos do aluno, para alcançar resultados mais proveitosos ao promover uma interação mais intensa entre o aprendiz e o professor (LEFFA, 2007). Dessa forma, considerando que essa elaboração deve ser fruto de uma pesquisa do professor para que os exemplos escolhidos sejam reflexo da língua em uso, nosso objetivo neste trabalho é demonstrar, brevemente, como os pronomes oblíquos são apresentados nos livros didáticos Novo Avenida Brasil, Bem-Vindo e Ponto de Encontro, os quais utilizamos como material de apoio em nossa prática pedagógica. Além disso, buscaremos apresentar alguns exemplos de materiais autênticos, os quais, embora não tenham sido criados especificamente para o propósito educativo (NUNAN, 1999), podem ser utilizados nas aulas de PLE e aproximam os alunos de usos variados da língua.

Currículo - https://www.linkedin.com/in/josiane-ferreira-a9ab2ba8/

Antônio Lobato Junior,
Colômbia

Análise lexicométrica do erro na escrita do português: um painel gerador de decisões didáticas

O erro na escrita do português é uma oportunidade e uma orientação para quem aprende e para quem ensina. Tratá-lo de forma adequada significa também analisá-lo a partir de sua dimensão quantitativa. O objetivo desta apresentação é colocar sob avaliação de todos a experiência da montagem e uso de um painel onde se caracterizaram e quantificaram erros em 468 redações e a partir do qual se tomaram decisões relacionadas a temas a serem estudados com maior atenção, formas de avaliar e focos centrais na montagem de material de apoio. A conclusão é que este tipo de caracterização é necessária tanto para iluminar nossas ações como professores, como para fazer-nos conhecer mais os estudantes que tempo conosco.

Instituição onde atua: Universidade EAN

Currículo- http://scienti.colciencias.gov.co:8081/cvlac/visualizador/generarCurriculoCv.do?cod_rh=0000831930

Dulcineia Alves dos Santos,
Itália
 
Diversidade metodológica no ensino de PLE para italófonos

O português apresenta muitas semelhanças com o italiano em diferentes níveis linguísticos o que tendencialmente facilita o processo de ensino/aprendizagem de Português Língua Estrangeira (PLE) para italófonos nativos. Esse aspecto pode ser considerado um fator motivacional para a aprendizagem da língua, além de fatores como a relevância do potencial econômico, metas turísticas e a produção cultural dos países lusófonos. Nesse sentido – considerando a origem comum de ambas as línguas e a finalidade do estudo de PLE por parte de estudantes italófonos nativos – essa breve exposição pretenderá compartilhar algumas metodologias de ensino, já experimentadas, com estudantes de PLE italófonos nativos. Ressalta-se particularmente os seguintes itens: 1) elementos utilizados para estabelecer as estratégias de ensino de Português Língua Estrangeira (PLE) para italófonos nativos; 2) metodologia tradicional (com foco na produção e interação escritas, usos da língua, gramática e vocabulário), método direto (a “não tradução”), método áudio-oral (com foco na compreensão, produção e interação orais); 3) metodologias bem/mal sucedidas com estudantes italófonos nativos 4) importância da língua veicular no processo de ensino/aprendizagem para estudantes italófonos nativos. 

 

Instituição onde atua: Associazione Amici di Casa America

Curriculo: https://www.linkedin.com/in/dulcineia-santos-93731a16a/

Bianca Sacchitelli Riascos, 
Colômbia

Projeto Blog: estratégia para o ensino/aprendizagem de PLE no contexto universitário colombiano

O processo de ensino/aprendizagem do português como língua estrangeira em uma destacada universidade colombiana está profundamente marcado pela diversidade. Apesar do público predominantemente universitário, as diferentes áreas de formação da qual proveem os e as estudantes requerem um amplo leque de recursos e estratégias que atendam aos diferentes interesses e necessidades do público-alvo. Neste contexto, desenvolveu-se o projeto Blog: experiências e reflexões entre o pessoal e o profissional, no qual se utiliza o português como fonte de pesquisa, reflexão e registro escrito e oral. A presente proposta visa, portanto, compartilhar as motivações para a criação do projeto, as dificuldades identificadas ao longo do caminho, os primeiros resultados obtidos e possíveis ajustes metodológicos que permitiriam ampliar o interesse dos(as) estudantes e aumentar seus níveis de aprendizagem.

Ana Luiza Gabatteli, 
Brasil

Promoção de vivências criativas que estimulam a comunicação inclusiva e diversa

De um curso especializado no ensino de português para estrangeiros a uma comunidade de línguas e saberes. Ao longo de quase 10 anos, a Vila Brasil se reinventou algumas vezes e, em 2020, com a pandemia, encontramos finalmente um posicionamento que une os valores do capitalismo consciente – a sensibilidade, a afetividade e a criatividade – e o desejo de aproximar, acolher e transformar a sociedade por meio da linguagem.  Além dos cursos de línguas estrangeiras que oferecemos, encontramos nos professores e futuros professores nossa força de transformação social, pois por meio de cursos de capacitações e de formação desses profissionais estamos criando uma comunidade de pessoas de diversas áreas do conhecimento que se preocupam e trabalham em prol da inclusão e da diversidade por meio da linguagem. Nesta apresentação, mostrarei como tudo começou e como fazemos para promover vivências criativas que estimulam a comunicação inclusiva e diversa, passando pelos cursos de idiomas, de capacitação, de formação inicial e criação de material didático que oferecemos.

Instituição onde atua: fundadora da escola Vila Brasil, pioneira em Brasília no ramo de ensino de português para estrangeiros.